A certeza da inelegebilidade
Mais do que qualquer um de nós, meros expectadores da cena política paraibana, o ex-governador cassado sabe que não poderá ser candidato a senador porque foi alcançado pela Lei dos fichas limpas. Bem ao seu estilo não admite publicamente a verdade de que tem convicção, muito mais por uma estratégia política do que por necessidade em se manter na disputa eleitoral. É importante manter elevado o moral da tropa. Está fora da contenda, mas precisa dar ânimo aos correligionários na tentativa derradeira de transmitir suas possibilidades de eleição a alguém da sua absoluta confiança, de preferência um integrante da família. Convencido da sua inelegibilidade não pode transparecer para a opinião pública esse entendimento. Constrói então o discurso diversionista de que o TSE abriu formas de salvar sua candidatura. Quem assistiu à sessão do Tribunal pela TV sabe que a decisão em nenhum momento contempla suas aspirações. Muito pelo contrário, põe por terra todas as possibilidades de prosperar a sua intenção de pleitear o mandato de senador. A opinião minoritária do colégio de julgadores do Tribunal Superior, de que transitado em julgado o processo que definiu o prazo de inelegibilidade por três anos não pode ser alterado, não se enquadra na situação vivida pelo governador cassado. Por iniciativa dele próprio a ação que lhe custou a cassação do mandato é atualmente objeto de recurso junto ao Supremo, portanto inconcluso, dependendo ainda daquela alta corte a definição do prazo de inelegibilidade a cumprir. Contrariando o seu discurso de que já cumpriu a pena, há de se registrar o processo do jornal A União, condenado pelo TRE e pendente de julgamento em razão de recurso interposto junto ao TSE. A pena quanto ao prazo de inelegibilidade, se assim possa ser entendida, ainda não foi estabelecida em termos definitivos de decisão. O que equivale dizer que, obedecendo a orientação do TSE o Tribunal Regional Eleitoral recusará registro de sua candidatura, obrigando-o a recorrer a instâncias superiores na busca desse registro. Isso implicará na necessidade de apressamento dos julgamentos dos recursos no STF e TSE, torcendo para que nesses dois colégios julgadores seja absolvido. Prevalecendo a avaliação dos julgamentos precedentes dificilmente escapará de novas condenações. Mesmo que não queiramos antecipar decisões, é fácil compreender de que o ex-governador terá seu tempo tomado com defesas na justiça eleitoral, não sobrando tempo para cuidar de sua campanha. Acrescente-se a isso o sentimento de incerteza que vai dominar o eleitorado paraibano, enquanto não confirmada sua condição de elegibilidade. Em síntese não pode permitir sua substituição na chapa majoritária, pelos motivos provocados pela decisão recente do TSE, porque quer garantir espaços para quem possa tentar herdar seus votos sem risco de infidelidade ao grupo que lidera. Quem perde com isso, mais uma vez, é o candidato a governador que recebe o seu apoio político. Assumirá uma campanha sem a certeza de quais serão os seus candidatos a senador.
Escrito por Rui Leitão às 20h48
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O dilema da oposição
A oposição vive um momento complicado na definição de sua chapa majoritária ás vésperas das convenções partidárias. O dilema vivenciado nas hostes oposicionistas no que diz respeito á confirmação dos seus candidatos ao senado deixa os adversários do atual governador numa situação no mínimo embaraçosa. Correm o risco de começarem uma campanha com o registro de candidaturas ameaçadas de não se manterem até a data da eleição. Os pré-candidatos ao senado lançados pelo PSDB e DEM sofrem ameaças de impedimentos por motivos que todos os paraibanos conhecem. O líder tucano em razão das implicações decorrentes da nova lei dos "fichas sujas", resultante de iniciativa popular, aprovada por larga maioria dos deputados federais e pela unanimidade dos senadores, confirmada sua aplicabilidade já para as eleições deste ano pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral. Ninguém pode deixar de reconhecer a dificuldade do ex-governador em manter-se candidato, considerando que suas condenações aconteceram por decisões colegiadas no TRE e no TSE, alcançado portanto pelo que define a norma legal recentemente sancionada pelo Presidente da República. Ainda que seus advogados defendam sua condição legítima de postular a eleição ao senado, vai passar toda a campanha enfrentando processos na justiça eleitoral e isso, sem sombra de dúvidas, fragiliza qualquer candidatura, porquanto vista como incerta pelo eleitorado. O fato inquestionável é que as três cassações colocam o pretenso candidato ao senado nas definições que caracterizam o político "ficha suja". O mais preocupante para as lideranças oposicionistas é que o ex-governador é considerado o puxador de votos da chapa majoritária. E se ele não estiver na chapa, como tudo leva a crer? O outro, indicado pelo DEM, envolvido num escândalo de repercussão nacional coloca seus companheiros de aliança partidária na incômoda obrigação de defendê-lo, em que pese todo o noticiário negativo dos maiores veículos de comunicação do país, não oferecendo argumentos que fortaleçam sua defesa. O senador precisa urgentemente provar sua inocência nas acusações que lhes são imputadas, sob pena de, não só inviabilizar a sua candidatura, mas também contagiar fortemente toda a chapa majoritária de que ainda faz parte. Sendo assim dois fatos pegaram de surpresa os pré-candidatos ao senado da chapa de oposição: a lei dos "fichas sujas" e o escândalo das funcionárias fantasmas do Senado. Não tem como negar o prejuízo causado por esses dois acontecimentos políticos. Mesmo que consigam manter suas candidaturas vão gastar muito discurso para convencerem o eleitorado paraibano de que nada têm a ver com essas situações.
Escrito por Rui Leitão às 10h16
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Faltou discurso?
Tem incomodado muito aos militantes da oposição o acervo de obras em execução pelo atual governo do estado. Percebem que essa observação pela opinião pública tem sido responsável pelo crescimento do nome do governador José Maranhão na preferência pela sua recondução ao cargo. Sendo esta uma eleição plebiscitária a população paraibana claramente começa a fazer opção por quem tem se mostrado operoso, por quem tem se evidenciado como construtor de um caminho de retomada do desenvolvimento sócio-econômico de nosso estado. Ao que parece, na falta de discurso, prejudicados pela salada ideológica e partidária que compuseram na aliança formada para a disputa das eleições majoritárias de outubro próximo, os oposicionistas se vêem sem uma linha de argumentação ou de propostas políticas que possam convencer o eleitorado em favor de sua causa. Será que o afastamento da Mix da orientação de marketing político da campanha da coligação PSB/PSDB/DEM deixou seu palanque meio desnorteado, sem rumo, sem consistência nas suas mensagens ao povo? Assistindo nos últimos dias entrevistas na TV dos vereadores Bruno Farias e Raissa Lacerda, essa é a conclusão a que chegamos. Causou perplexidade vê-los apresentar umas fotografias na tentativa de desqualificar a obra administrativa do governo do estado, buscando induzir quem lhes assistia a entender como propaganda virtual alguns dos projetos de trabalho colocados a conhecimento da população. Risível, para não dizer ridícula, a apresentação de uma foto mostrando um barco avariado, ancorado num banco de areia de alguma praia do nosso litoral, como se fosse o porto de águas profundas anunciado pelo governo. Todo mundo sabe, e é assim que se tem divulgado, que esse é um projeto ainda em elaboração, que demanda custos muito elevados a serem bancados numa parceria público privada que está em estágio de construção, mas de vital importância para alavancar nossa economia. Da mesma forma mostram em outra foto o leito do rio Jaguaribe, quando questionam a obra viária que se realizará cruzando as avenidas Beira Rio, Epitácio Pessoa e Rui Carneiro, que representará uma melhoria extraordinária no tráfego de veículos de nossa capital. Ora, a obra está ainda na fase licitatória, mesmo que enfrentando todos os obstáculos por parte dos que se colocam contra a reeleição do governador. Citei só dois exemplos, o bastante para definir o desespero político que domina as hostes oposicionistas. Escalados por seus líderes, que recusam serem submetidos a tal vexame, os novos parlamentares protagonizam uma explícita cena de apelo eleitoral, adotando uma estratégia de alto risco. Talvez imaginem que todo governo age como o anterior. Quem não se lembra da maquete do Centro de Convenções? E do anúncio da ponte Cabedelo/Lucena? As inaugurações, as ordens de serviços, as licitações, a execução de obras físicas, podem ser observadas pelo atento eleitor paraibano, que confere a falta de verdade na exposição dessas fotos, apresentadas como contra pontos á ação administrativa de José Maranhão. Contra fatos não há argumentos, diz a máxima popular. O governo nem precisa procurar desmentir as fotos, basta que continue mantendo o ritmo de trabalho que vem desenvolvendo em favor da Paraíba. As fotos se desmentem por elas próprias.
Escrito por Rui Leitão às 16h12
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A irritação do ex-governador
Ao me deslocar para Campina Grande no início da tarde da última terça feira, ouvia na rádio Arapuan a entrevista que o ex-governador Cássio Rodrigues concedia naquela emissora. Mesmo já conhecendo as respostas a todas as perguntas que costumeiramente são feitas a ele, porque seguem um script organizado por sua assessoria de marketing político, me dispus a ouvi-lo na expectativa de que pudesse surgir algo novo. Afinal de contas num ano de eleições a dinâmica da política oferece condições de produzir novidades numa velocidade impressionante. A surpresa não veio no discurso do governador cassado, mas na postura arrogante, ameaçadora até, com que se apresentava na condição de entrevistado do dia. Se imaginava ainda no poder, exercendo na sua plenitude o cargo de governador do Estado. Tratava a todos como se fossem seus súditos, seus comandados, seus liderados. E ai de quem contrariasse seu pensamento ou fizesse alguma pergunta inesperada que o deixasse em dificuldades de responder, porque fugia ao que estava preparado para explicar. Acostumado às entrevistas coletivas que organizava quando no exercício do governo, onde as indagações da imprensa passavam antes pelo crivo da sua assessoria de comunicação, reclamando dos jornalistas que não cumpriam à risca o que havia sido previamente estabelecido, Cássio mostrou-se irritado, exasperado, inconformado com a presença do jornalista Nilvan entre os entrevistadores. Antes que Nilvan fizesse qualquer interpelação já foi classificando-o como integrante da imprensa oficial, acusando-o de estar a um ano tentando atingir a sua imagem política. Chegou ao ponto de dizer que evitou pedir a cabeça do jornalista à direção da empresa, como se ele tivesse autoridade para nomear ou demitir qualquer integrante do quadro de profissionais daquela empresa de comunicação. Faltou alguém avisar para ele de que desde fevereiro não era mais governador. E mesmo que fosse não acredito que o presidente daquela organização se submeta às decisões de quem quer que seja na definição de pauta e de veto à participação de radialistas da sua equipe. Nilvan não foi subserviente, mas foi educado, não entrou no jogo da provocação. Ouviu tudo calado sem se manifestar. Preferiu respeitar o público ouvinte do programa evitando protagonizar uma discussão que não interessava a quem estivesse na audiência Quem estava sintonizado naquela emissora percebeu, sem muita dificuldade, que o pré-candidato ao senado pelo PSDB está passando por uma fase que o tem deixado nervoso, intranqüilo, impaciente. E veja que ainda nem começamos a campanha propriamente dita. De qualquer maneira quero registrar aqui a minha solidariedade a Nilvan, não só na condição de seu amigo, mas também ao jornalista atingido verbalmente no seu ambiente de trabalho, na oportunidade em que cumpria a sua missão de profissional da comunicação.
Escrito por Rui Leitão às 20h19
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A política do “quanto pior melhor”
Difícil compreender a tese defendida pelo deputado Ricardo Barbosa, atual líder das oposições na Assembléia, quando questiona a aquisição de equipamentos de segurança e carteiras escolares com o dinheiro do empréstimo cuja autorização está sendo solicitada ao poder legislativo. O ideal para a oposição é que o aparelho policial do Estado continue sem equipamentos que possam atender a demanda da sociedade no combate a violência. Se a população percebe que o governo ataca esse grave problema que assusta todos os paraibanos, seus adversários perdem o discurso de palanque no pleito que acontece neste ano. Defendem a política do "quanto pior, melhor". No desejo do deputado, ao que deixa transparecer, os estudantes da rede pública de ensino deveriam continuar assistindo aulas sentados no chão, como a imprensa divulgou no período em que administravam o Estado. O que merece ser analisado com responsabilidade nesses pedidos de empréstimos é conferir se a sua aplicação corresponde ao plano de investimentos apresentado. Como têm certeza da correta utilização dos recursos, refletindo em obras estruturantes e ações em favor da sociedade, se assustam com a repercussão popular em favor do governo, que vê transformados em benefícios os valores obtidos nos empréstimos contraídos. Sinceramente acho equivocada essa postura dos parlamentares de oposição, comandada pelo líder do momento. É o que se pode chamar de "tiro no pé". Como acusar de irresponsabilidade uma ação em favor do povo, que clama por segurança e por melhores condições na educação pública? Não acredito que se mantenham nessa aventura num ano em que todos estão avaliando as lideranças políticas e identificando quem de fato se apresenta comprometido seriamente com os seus anseios e necessidades. Arriscado subestimar a capacidade de percepção do povo. Os paraibanos querem que retomemos nosso desenvolvimento sócio-econômico, com governos que mostrem zelo no trato da coisa pública, austeridade na gestão dos seus recursos e responsabilidade nas ações administrativas. A Paraíba já vive esse novo tempo.
Escrito por Rui Leitão às 20h20
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Quem viver verá
Aumenta o numero de políticos alcançados pelas estratégias montadas pelo ex-governador Cássio Rodrigues. Impressiona a sua capacidade de sepultar politicamente, de forma pensada e arquitetada, lideranças que, em algum momento, ele ajudou a construir e que, ao perceber que poderiam fazer sombra ou ameaçarem o seu comando, são lançadas em dificuldades e se aniquilam no jogo político. Félix Araújo foi alçado à condição de prefeito de Campina Grande a partir de uma articulação vitoriosa do cassismo e hoje amarga o ostracismo, além de ter passado por vários problemas, sem que tenha recebido qualquer atitude de solidariedade dos seus correligionários. Cozete Barbosa era uma liderança com forte penetração no movimento sindical, um discurso de esquerda, uma promessa no PT. Foi seduzida pelos encantos do ex-governador, chegando a assumir uma prefeitura falida, e pagou caro por isso. Herdou uma administração caótica e ainda foi responsabilizada por erros que, em sua maioria, foram cometidos por quem a antecedeu na gestão da prefeitura campinense. Vivencia um momento de profundos constrangimentos. Abandonada e banida da vida pública que se prenunciava ascendente. Agora foi a vez de Cícero Lucena, a quem devotava uma amizade fraterna e de quem recebeu as maiores demonstrações de lealdade, gratidão e fidelidade política. Manobrou com extrema competência no sentido de fazer o presidente do seu partido se sentir isolado na pretensão de disputar o cargo de governador. Não considerou o passado, nem o espírito de companheirismo que deve definir a relação entre pessoas que se respeitam e que se fizeram parceiras em muitas jornadas. Para ele os meios justificam os fins, mesmo que contrariando os mais elementares princípios da ética e da coerência. A bola da vez todo mundo sabe quem é. Ninguém tem dúvidas de que o ex-governador cassado trabalha na direção de tentar voltar ao governo em 2014. Em sendo assim não interessa a ele ter alguém no governo que possa obstacular essa sua intenção de voltar ao poder, de preferência na condição de líder das oposições. Já se percebe que assumiu o comando da campanha deste ano, relegando à condição de coadjuvante o seu proclamado candidato a governador. Passo primeiro para o objetivo de aniquilá-lo politicamente. Já conseguiu, pelo menos, alterar uma biografia que todos admiravam e comprometeu um discurso que se apresentava como progressista, de esquerda, reformista, avançado. Quem viver verá.
Escrito por Rui Leitão às 19h13
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Buscando alimentar o ânimo
Novamente as lideranças da oposição demonstram estarem vivendo um jejum de acontecimentos que dêem movimento á campanha. Aproveitam qualquer fato, por menor influência que possa ter no processo eleitoral, para festejarem e promoverem ânimo na sua militância. Coincidentemente nesses primeiros dias de abril o personagem dos eventos que causaram comemoração dos políticos liderados pelo ex-governador cassado foi o prefeito Veneziano, de Campina Grande. Na primeira oportunidade quando anunciou sua disposição de permanecer á frente dos destinos da prefeitura, abdicando da disputa de cargo na chapa majoritária situacionista. Celebraram a compreensão de que a eleição não seria decidida por antecipação. Agora quando da sentença monocrática de um juiz em Campina cassando o mandato do gestor peemedebista, fizeram desse episódio mais uma motivação de festa e de estímulo aos que integram a aliança partidária que se coloca como adversária do atual governador. Mesmo sabendo que a jurisprudência brasileira é unânime no entendimento de que o afastamento de qualquer detentor de função executiva só acontece quando o mérito da ação é julgado por decisão colegiada, seja no TRE ou no TSE. Tentaram nivelar Veneziano a Cássio. Situações totalmente distintas. O primeiro teve seu mandato cassado originariamente por decisão de um único juiz, enquanto o ex-governador foi cassado duas vezes por sentenças colegiadas do TRE e uma do TSE, esta por unanimidade. Cássio já está fora do poder, Veneziano continua no exercício pleno de seu mandato. Uma euforia que demorou muito pouco tempo. Continuam sem notícia de uma adesão sequer e a cada dia amargam novos revezes. Sábado passado o encontro estadual do PT estabeleceu de forma terminativa o apoio á coligação liderada pelo governador José Maranhão. Alimentaram a expectativa de que por ocasião do lançamento nacional da candidatura de José Serra , o PSDB definiria a desistência do senador Cícero Lucena disputar a eleição e assumiria oficialmente a inclusão dos tucanos na aliança comandada pelo ex-prefeito de João Pessoa. Ao invés disso acontecer, o candidato a presidente do PSDB proclamou publicamente numa entrevista concedida á rádio Arapuan que nunca havia pedido ao senador para abrir mão de sua candidatura e que dependeria unicamente dele a tomada dessa decisão, o que poderia acontecer até o mês de junho. Uma ducha fria nas pretensões dos cassistas. Na política o entusiasmo se constrói com a produção de acontecimentos que motivem os que integram as forças partidárias envolvidas na campanha eleitoral. É o que está faltando nas hostes das agremiações que formam o campo das oposições na Paraíba. Pelo menos é o que se percebe na própria reação dos seus líderes quando se aproveitam de fatos que não têm repercussão na dinâmica eleitoral para tentarem dar injeção de ânimo aos militantes.
Escrito por Rui Leitão às 15h25
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O Suspiro de alívio da oposição
Na falta de acontecimentos que possam alimentar as esperanças da oposição, os liderados do governador cassado festejam a confirmação da permanência de Veneziano na prefeitura de Campina Grande propagando de que a candidatura do governador José Maranhão ficou fragilizada ao não contar com a sua participação na chapa majoritária. Ora, o governador já alcança o percentual de quarenta e quatro por cento de preferência do eleitorado paraibano sem a presença de Veneziano na chapa, contra trinta e dois por cento do seu adversário, conforme atestam os números apontados na pesquisa mais recente, divulgada pelo Vox Populli. Na verdade a vibração dos oposicionistas reflete o alívio que sentiram porque sabiam que uma composição de Maranhão e Veneziano eliminaria por completo as possibilidades de competição na eleição. Ela praticamente seria decidida por antecipação. Além do mais precisavam de algum fato que motivasse sua militância. Afinal de contas o que se percebe é um isolamento da candidatura do prefeito Ricardo Coutinho que a cada dia perde apoios de lideranças e de partidos. Não se tem notícia nos últimos tempos de uma única adesão em favor da campanha do candidato socialista. Em sentido contrário não há um só dia em que não se noticie a transferência de apoios para o governador que pleiteia a reeleição. Considere-se também a indefinição do arco de alianças do grupo oposicionista, dividido entre a insistência do senador Cícero Lucena em entrar na disputa e a afirmação de Cássio defendendo a união das oposições em torno da candidatura de Ricardo. Minguando o quadro de partidos políticos que lançará Ricardo Coutinho como candidato a governador do Estado, como vem acontecendo, e que aponta a certeza nos momentos atuais de contarem apenas com PSB, DEM e PPS, a estrutura de campanha ficará em indiscutível desvantagem com a que disporá o governador José Maranhão. Começa pelo tempo do guia eleitoral. Sem falar no desgaste que o DEM e sua principal liderança na Paraíba sofrem a nível nacional pelos motivos que todos conhecem. Ressalte-se ainda que os companheiros de chapa de Ricardo oferecem um verniz de direita á sua atual posição política contrariando o discurso de sua trajetória e maculando uma biografia por todos admirada até pouco tempo atrás O atual governador não está ainda em campanha, mas começa a receber as benesses do trabalho administrativo que vem realizando, quando se registra uma crescente manifestação de aprovação ao seu governo, o que lhe oferece em conseqüência ganhos na preferência do eleitorado. Claro que o processo eleitoral está apenas começando, mas o vento vem soprando fortemente em favor da postulação do governador José Maranhão, daí porque o suspiro de ânimo dos que fazem oposição quando tiveram a notícia de que o prefeito de campinense não vai compor a chapa majoritária. Não houve nenhuma mudança no cenário que estamos vivendo no momento. No máximo podem dizer: a eleição não foi decidida por antecipação. Por enquanto.
Escrito por Rui Leitão às 09h33
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A pressão do calendário eleitoral
O tempo corre em desfavor das estratégias políticas do governador cassado Cássio Rodrigues, se é que ele está sendo sincero nas suas atitudes e nos seus discursos, quando proclama o apoio á candidatura a governador lançada pelo PSB. Em um momento organiza reuniões, encontros, participa de eventos no interior do Estado, ao lado de seus novos companheiros. Noutro instante busca articular-se com lideranças de agremiações partidárias na tentativa de convencê-los a abraçar a sua causa. Procura acalmar descontentamentos, reconquistar aliados que se manifestam insatisfeitos com o tratamento político recebido, fortalecer o discurso da necessidade de união das oposições para vencer as eleições. Concomitantemente esgota toda a sua capacidade de convencimento no sentido de fazer o senador Cícero Lucena desistir da decisão de disputar o cargo de governador do Estado. Dono de uma liderança reconhecida age como tendo assumido a postura de comandante do processo. Na verdade há muitas especulações e ninguém tem como absolutamente certa qual a sua real intenção. Alguns observadores da história política da Paraíba e do cenário atual levantam desconfianças de que tudo isso é uma armação para afastar o prefeito da capital da disputa ao senado, livrando-se de quem seria um concorrente forte, ao tempo em que consegue também romper uma aliança que o PSB vinha construindo ao lado do PMDB e PT que representava verdadeiramente um projeto que aponta para consolidação de um futuro onde as práticas políticas não sejam maculadas pela corrupção eleitoral, pelo uso da máquina estatal ou pela força do poder econômico. O que ninguém sabe ainda é quem será a principal vítima dessa sua planejada ação. Por outro lado, não tem como deixar de constatar que o ex-governador, seja qual for a decisão do PSDB em relação a este pleito, promoveu um esfacelamento no campo das oposições. O líder perdeu o controle da situação e está refém de uma decisão que foge a sua capacidade de determinação. Desnorteado movimenta-se desesperadamente com o objetivo de minimizar prejuízos e salvar uma situação que a cada dia se apresenta mais complicada para os seus quadros políticos. Ou será que tudo isso é encenação, obra maquiavélica de quem vislumbra ganhos pessoais futuros, mesmo que isso represente perdas para companheiros históricos ou correligionários recentes? Na lógica de alguns pensadores políticos melhor seria para ele que o futuro governador da Paraíba não possa ser candidato à reeleição, porque deixaria espaço para entrar na disputa em 2014 indicado pelas forças de oposição. Acompanhada essa lógica ganha força a desconfiança de que o intuito maior é criar uma confusão política nos partidos que se posicionam contra o atual governador. Só nos resta esperar para ver o que de fato vai acontecer. A pressão do calendário eleitoral exige uma definição muito próxima de tudo isso. E saberemos quais os pensadores políticos que estão com a razão.
Escrito por Rui Leitão às 11h32
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O Discurso da Conveniência
O recente encontro de parte das oposições convocada pelo governador cassado Cássio Rodrigues no hotel Tambaú apresentou como estrela maior o ex-ministro Ciro Gomes, conhecido por seu discurso contundente, sua virulência verbal e pela encenação de bravatas. Não se pode deixar de reconhecer sua inteligência, sua capacidade de retórica, sua linguagem propositadamente ao gosto popular. Mas nunca perdeu o estilo neo-coronelista, a ânsia desmedida de ser o centro das atenções e a vontade de estar sempre em exposição. Tem se revelado uma figura camaleônica ao longo da sua biografia política, porque muda o discurso e a postura na conformidade da conveniência do momento e dos seus interesses pessoais. Nesse primeiro dia de março, nas suas entrevistas aqui na Paraíba, nos brindou com uma série de afirmativas que bem caracterizam a facilidade com que se contradiz na busca de agradar e falar aquilo que o seu auditório deseja ouvir, mesmo que isso prejudique o sentido de coerência que deveria pautar as atitudes de qualquer ator político. Enalteceu a salada ideológico-partidária que marca a aliança celebrada na reunião de que participou, esquecendo que bem recentemente chamou a coligação PT/PMDB de "ajuntamento oportunista". Há poucos dias comemorou a queda de Serra nas pesquisas declarando que "a ameaça de volta ao passado está diminuindo". E vem a Paraíba exatamente prestigiar a candidatura de um governador cassado por corrupção eleitoral e responsável por seis anos de paralisia administrativa em nosso Estado. Argumentou com veemência de que não desistiria de sua candidatura à presidência da república porque estava com doze por cento nas pesquisas e isso seria a "deserção de um dever moral", mas, acreditem, estimulou o senador Cícero Lucena a abrir mão do seu desejo de disputar o governo em nome, segundo ele, de uma causa maior. Não disseram a ele, por certo, de que o presidente do PSDB alcança os vinte por cento de preferência do eleitorado paraibano. Manifestou publicamente de que se fosse eleitor na Paraíba votaria em Cássio Cunha Lima para senador, caso prevaleça a possibilidade de sua candidatura ser registrada, sem se lembrar que no ano passado numa entrevista ao Correio Debate chamou o ex-governador de político em quem não se podia confiar porque havia prometido se filiar ao seu partido e depois voltou atrás. Sua segunda opção ao Senado seria, pasmem, Efraim Moraes, o principal adversário do presidente Lula na Paraíba. Afinal de contas nada surpreende quando o orador é Ciro Gomes. Ele é mestre em proferir discursos de conveniência. Cumpriu a risca o script que lhe foi passado por seus aliados paraibanos.
Escrito por Rui Leitão às 23h14
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Um ano que valeu por seis
A data de 18 de fevereiro marcou a celebração do primeiro aniversário dessa nova etapa do governo Maranhão, o que alguns, propositadamente, teimam em chamar de "Maranhão 3", quando se sabe que somados todos os períodos em que esteve à frente da gestão estadual não equivalem sequer a dois mandatos completos. O governador cuidou neste tempo de preparar o Estado para uma agenda positiva de ação governamental do que será verdadeiramente o "Maranhão 3", considerando a provável reeleição que acontecerá em outubro próximo. Reassumiu os destinos do nosso Estado recebendo uma herança que fazia muita gente apostar no seu insucesso administrativo, não só pelas "bombas" armadas de forma intencional pelo governador cassado, às vésperas de ser defenestrado do poder por corrupção eleitoral, mas também pelas dificuldades naturais que todos os administradores públicos estavam enfrentando em razão da grave crise econômica mundial deflagrada em 2009, impactando as receitas dos Estados. A experiência acumulada nas oportunidades anteriores em que governou a Paraíba, o que lhe permitia a condição de profundo conhecedor da nossa geografia político-administrativa, aliada a uma obstinada vontade de realizar a necessária obra de retomada do nosso ritmo de desenvolvimento, fez com que nesses doze meses experimentássemos de novo a convivência com a seriedade, a responsabilidade e a austeridade no trato da coisa pública, recuperando a confiança no futuro e a certeza de que novos dias estão por vir e que a prática da desídia, da negligência, do uso da máquina estatal em benefícios pessoais ou de grupos, seja página virada na nossa história. A comemoração importante nesse primeiro aniversário não são simplesmente os projetos de infra-estrutura hídrica e de rodovias, as ampliações, reformas e recuperação de diversas unidades hospitalares, o Centro de Convenções, a Translitorânea, e várias outras intervenções de governo que a Paraíba está acompanhando e que representam investimentos superiores a 1,2 bilhão de reais. Melhor do que isso, a Paraíba está sim pronta para avançar. O que dificultava a captação de recursos federais e internacionais por conta de inadimplência e outros entraves burocráticos causados pela incompetência administrativa do governo anterior foi resolvido de forma satisfatória o que garantiu ao governador obter transferências de recursos que estão transformando nosso território num canteiro de obras. O porto de águas profundas, a via Jaguaribe na Capital, o canal do brejo, os binários de Bayeux e Jacumã, o metrô de superfície em João Pessoa, são projetos que consolidam o Estado como gerador das condições básicas e essenciais para impulsionar o nosso desenvolvimento sócio-econômico. Isso se chama "visão de futuro". Merece aplausos também o cumprimento dos limites de aplicação em saúde e educação estabelecidos pela Constituição Federal porque tem repercussão na vida social do paraibano. Em suma, o que se pode concluir é que esse primeiro ano de governo foi muito mais importante para a Paraíba do que os seis anos anteriores.
Escrito por Rui Leitão às 10h38
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O discurso de Efraim Morais
O pronunciamento de Efraim Morais na tribuna do Senado acusando o governador e a primeira dama de "orquestrarem um discurso para coagir prefeitos a aderirem à reeleição sob a ameaça de terem seus mandatos cassados por suposta influência do governador e da vice-presidente do Tribunal nas decisões judiciais, especialmente naquelas originárias do TRE da Paraíba" causou espanto e indignação nos meios jurídicos do nosso Estado. A imparcialidade, apanágio dos magistrados, foi colocada em dúvida pelo senador do DEM, em especial os que são responsáveis pelo julgamento dos processos da justiça eleitoral na Paraíba. Aliás, comportamento idêntico já foi adotado por políticos do PSDB paraibano quando o Tribunal Regional Eleitoral cassou, por duas vezes, o mandato do governador Cássio Rodrigues por conduta vedada. Não perceberam ainda que a cultura da impunidade teve fim na Paraíba e procuram se defender maculando a imagem dos que fazem o poder judiciário. Não há qualquer fato que possa justificar tal acusação O governador José Maranhão sempre se portou de forma a respeitar a independência funcional da magistratura, reconhecendo nela a nobre função de guardiã das leis e garantidora da ordem na estrutura governamental republicana. Da mesma forma, a Desembargadora Fátima Bezerra, tem uma biografia que a consagra como magistrada que honra o judiciário paraibano, atuando com coragem, dedicação, seriedade e amor à causa pública, exercendo com altivez e dignidade o cargo de vice-presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba. O desembargador Nilo Ramalho, presidente do TRE, merece de todos os paraibanos manifestações de solidariedade, respeito e total confiança. A Paraíba não conhece qualquer ato que possa enodoar sua trajetória de trabalho nos trinta e cinco anos que marcam a sua conduta no exercício das atividades profissionais, pautada sempre na ética,na imparcialidade e na soberania. A justiça paraibana honra nossas tradições, desempenhando com extrema competência e independência a magna função de interpretar os limites constitucionais dentro dos quais é exercida a soberania popular e a garantia plena do regime democrático. Não serão bravatas que inibirão nossos julgadores de exercerem a honrosa missão de garantir o respeito às leis, o combate à criminalidade e a aplicação da justiça em toda sua plenitude. A insinuação tornada pública no plenário da mais importante casa legislativa do nosso país não encontra qualquer guarida em razão da reconhecida honorabilidade dos que integram nossas Côrtes na justiça. Parece mais uma espécie de busca desesperada de justificativas para resultados adversos nos embates eleitorais que se aproximam, como se as ações da justiça paraibana estivessem a serviço de interesses partidários ou de grupos políticos. É inadmissível confundir o discurso político com a prática séria e responsável da magistratura da Paraíba, ainda mais quando se questiona o conceito de integridade moral que a faz merecedora do respeito de todos os paraibanos.
Escrito por Rui Leitão às 17h12
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A tranquilidade do governador
O governador José Maranhão tem feito ouvidos de mercador aos ataques desferidos por seus opositores. A maturidade política permite ter a consciência de que tudo isso não passa de um jogo onde o adversário busca chamá-lo para o confronto com o objetivo de estabelecer a polarização na disputa eleitoral que se avizinha. Não se trata de desatenção, indiferença, desconsideração ou desdém, mas uma estratégia inteligente de forma a evitar a antecipação de uma discussão que terá seu momento legalmente adequado para acontecer. Qualquer resposta ou qualquer revide, seria aceitar regras de um embate político extemporâneo que só beneficiaria os que fazem a provocação, estabelecendo uma polêmica desnecessária. Até porque seria uma perda de tempo para quem o mandato é curto e os prazos são exíguos para realizar toda a obra de reconstrução da Paraíba a que está se propondo. A mais sábia das respostas é o trabalho, é a demonstração de seriedade e responsabilidade na condução dos destinos de nosso Estado, é a transparência no agir como gestor público. Tem discurso mais eficiente do que esse? Vivemos já um clima de efervescência eleitoral em razão do pleito que acontecerá este ano. Contudo quem menos tem interesse em precipitar a montagem do palanque é o governador José Maranhão. Esta é uma eleição plebiscitária. A população vai expressar a sua opinião sobre a administração que o governador vem exercendo. As obras, os projetos, as realizações, falam por si só. Neste momento vale muito mais para o eleitor observar o comportamento do administrador do que avaliar as discussões políticas dos pré-candidatos. A ação tem maior peso do que a retórica. O próprio desempenho administrativo dá ao candidato à reeleição maior capacidade de mobilização e aglutinação, conseqüência natural da análise positiva do governo. Em política não basta ter boa colocação nas pesquisas, porque elas refletem apenas um retrato momentâneo, mas também a capacidade de aglutinar apoios políticos. Quem se coloca na oposição tem que se mostrar capaz de convencer o eleitor de que pode conduzir melhor o Estado. O poder de convencimento fica restrito a habilidade no discurso. Daí o interesse no debate precoce. Importante produzir fatos que levantem polêmicas, abram espaços na mídia, motivem questionamentos públicos, desviem a atenção da obra administrativa que está sendo realizada. A tática do governador ao que parece está dando certo. Percebe-se um clima de nervosismo no campo contrário. Na análise do eleitorado, se coloca melhor quem demonstra tranqüilidade e nesse aspecto o governador está dando de goleada.
Escrito por Rui Leitão às 10h18
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O hospital de Itabaiana
Estive quinta-feira passada acompanhando a comitiva do governador quando de sua visita a Itabaiana, oportunidade em que era assinada a ordem de serviços para a conclusão do hospital daquela cidade. O que me deixou impressionado foi a constatação de que aquela unidade hospitalar estava praticamente concluída quando o ex-governador cassado assumiu o comando dos destinos da Paraíba em 2003. Veio a lembrança que durante a última campanha foi apresentada na mídia como obra conclusa pelo governador afastado por decisão da justiça eleitoral. Durante os seis anos em que o nosso Estado esteve experimentando o modo Cássio Rodrigues de governar, a população de Itabaiana não assistiu qualquer ação no sentido de permitir o funcionamento do hospital. Esse é apenas um dos muitos exemplos da incúria administrativa da gestão estadual que se findou em fevereiro do ano passado. Durante muito tempo no Brasil se firmou a cultura política de desconsiderar o que o antecessor faz. A descontinuidade administrativa, por questões de vaidades pessoais, traz um prejuízo enorme à sociedade. Não importa a necessidade do povo, não têm importância os recursos públicos até então aplicados em qualquer obra que mereça ser concluída, não merece atenção o bem coletivo que possa ser provocado pela ação administrativa iniciada por quem lhe antecedia como gestor. A descontinuidade é prática corrente no setor público, responsável por desperdício do dinheiro público. A maturidade política do governador José Maranhão está rompendo essa cultura de abandonar um bom projeto porque ele foi iniciado por outro gestor. A história do sistema político brasileiro é pródiga em interrupções de iniciativas, projetos, programas e obras, sempre em função de um viés político, desprezando-se considerações sobre qualidades ou méritos que possam ter as ações descontinuadas. O governo estadual passado caracterizou-se por tal comportamento, o que se estabeleceu como um grande entrave ao desenvolvimento de políticas públicas em favor da Paraíba. Essa visão míope penalizou os habitantes da região polarizada por Itabaiana que ficaram privados de um atendimento hospitalar por mais de seis anos. Isso não é uma declaração minha. Fui testemunha de afirmações várias, proclamadas por pessoas do povo e pelas lideranças políticas daquela cidade. Estavam no palco da solenidade adversários históricos que, esquecendo as divergências, comungavam do mesmo pensamento, qual seja a de que estavam gratos ao governador José Maranhão por decidir finalizar a obra e colocá-la no menor espaço de tempo possível a serviço da comunidade, numa censura clara ao tratamento de abandono dispensado ao equipamento hospitalar que estava prestes a ser entregue á população de Itabaiana e cercanias.
Escrito por Rui Leitão às 10h42
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Tentando desatar o nó
Começam as tentativas de desatar o nó. Mesmo que isso implique em ruptura de uma relação de amizade que parecia fraterna e que durava mais de duas décadas. Os valores concebidos na lealdade e na gratidão nem de longe estão sendo considerados. Os fins justificam os meios, diriam alguns, ainda que um tanto envergonhados do comportamento adotado. Tem gente que se julga acima desses comprometimentos éticos e morais e desrespeita os princípios e regras que norteiam a honra e a probidade. Esquecem que seus atos passam a ser avaliados e julgados pelo povo, em razão do caráter público de que se revestem por serem agentes políticos. Lealdade é uma ação construída em longo prazo, lenta, que requer tempo, pois as pessoas leais são aquelas que em meio a qualquer situação estão ao lado dos seus velhos companheiros. É um valor sedimentado na convivência, nas manifestações recíprocas de sinceridade, solidariedade, franqueza, fidelidade, compreensão, dedicação, e muitas das vezes prevalecendo o espírito de renuncia, do desprendimento. Mas nem todos pensam e agem assim. Tudo isso tem que estar pautado num sentimento necessariamente recíproco: a confiança. Quando acontece a quebra desse clima de confiança, o compartilhamento de interesses, antes tão irmanados, se fragilizam, tendem a desaparecer, rompendo as amarras da fidelidade. Salvo motivo de força maior, quem rompe a relação carrega a marca da traição. Em política o estigma da traição compromete biografias e desmoraliza discursos O senador Cícero Lucena falou que o mandaram caminhar onde puseram óleo diesel e bolas de gude. E ainda tiveram a desfaçatez de pedir perdão na frente de outros companheiros. Como se o pedido de perdão justificasse tal perfídia. Inacreditável se não conhecêssemos o histórico de quem protagonizou esse comportamento. Cícero não é o primeiro, nem será o último. Nem é preciso relatar quantos foram vítimas das suas armadilhas políticas. A Paraíba inteira sabe. Todavia o nó político continua cada vez mais difícil de ser desatado. Quando os elos são formados na base da decência, da honestidade, da transparência, no império da verdade, do respeito á dignidade, não fica fácil de rompê-los. Pelo visto o que o ex-governador conseguiu com suas atitudes foi desatar o nó que firmava uma amizade fraterna de vários anos.
Escrito por Rui Leitão às 11h07
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